sexta-feira, 2 de março de 2012

The Mentalist – 4×16: His Thoughts Were Red Thoughts The Mentalist – 4×16: His Thoughts Were Red Thoughts

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Fora o título, tudo OK.
Spoilers Abaixo:
Um interessante exercício de percepção das diferenças argumentativas da terceira e da quarta temporadas de The Mentalist é pegar dois episódios comuns da mesma altura dos dois anos e compará-los. O resultado é inevitavelmente surpreendente. Enquanto os mais antigos respeitam uma rígida estrutura, que tornava-se repetitiva a cada semana, os atuais conseguem criar situações diferentes, sem para isso precisar fugir completamente de sua proposta. Mesmo que a série não tenha exatamente se reinventado, a mudança de abordagem confere sobrevida a uma fórmula já desgastada após menos de quatro anos.  Ou seja, The Mentalist assim volta a ser capaz de produzir episódios interessantes sem precisar necessariamente explorar seu longo arco principal, deixando de criar mais de 20 capítulos para que apenas dois ou três sejam de fato relevantes. Nesse aspecto, His Thoughts Were Red Thoughts é feliz em criar 40 minutos interessantes, mas deixa a desejar em um quesito já conhecido.
O episódio marca a volta de Bret Stiles, chefão da Visualize, acusado de assassinar Gabriel Meadows, que investigava supostos crimes cometidos pelo líder religioso. Dessa forma, Jane volta a ter contado com seu rival, mas considera inusitada a postura adotada por ele, que parece não se esforçar para se livrar das suspeitas. Enquanto isso, a igreja passa pela possibilidade de um processo de sucessão, já que Stiles pode ser preso definitivamente, o que faz com que Jane comece a suspeitar das reais intenções do mesmo, que pode estar usando a CBI para esclarecer uma preocupação pessoal.
Novamente, The Mentalist aposta no retorno de um personagem já apresentado para fundamentar suas história. E de novo essa se mostra uma decisão acertada, principalmente no caso de Stiles, cuja presença sempre movimenta as ações do roteiro, tornando-o dinâmico e interessante. Além disso, os roteiristas são inteligentes ao procurarem fugir da repetitividade, desta vez atirando Stiles diretamente ao olho do furacão, evitando grandes rodeios em torno da possibilidade da culpa do líder religioso.
A decisão de trazer de volta alguns personagens marcantes em sequência também se mostra como uma hábil manobra para conferir um certo ar de continuidade às histórias, ainda essa característica não exista de fato. Repare como Stiles sempre parece retomar situações já iniciadas em seus diálogos com Jane, remetendo às outras aparições do personagem. Assim, o espectador é capaz de se localizar, sem que tenha a impressão de assistir a um episódio avulso e descartável. Apesar de esse tipo de manipulação não criar arcos interessantes, é uma boa maneira de prender a atenção, embora não deva ser utilizada com muita frequência, ou pode se tornar maçante e passar a sensação de que a série está estagnada.
O desenvolvimento do caso da semana também é beneficiado pela presença de Stiles, uma vez que o roteiro não precisa perder tempo introduzindo as motivações e personalidade do personagem, permitindo-se uma narrativa dinâmica que não seria possível em outras ocasiões. Além disso, novamente o episódio procura se focar em diferentes aspectos de um crime, evitando prender-se ao típico “Quem é o assassino?” da série, usando para isso a quase certeza da culpa de Stiles, além do que ocorre dentro da Visualize. É inegável que The Mentalist esteja trabalhando as premissas e desenvolvimentos de seus casos de maneira competente, adotando uma estrutura infinitamente mais flexível que a utilizada em outras ocasiões, permitindo aos roteiristas mais liberdade para serem criativos, o que indubitavelmente traz excelentes resultados.
Mas, de novo, o desfecho do episódio revela uma enorme falta de cuidado dos mesmos roteiristas que acertam durante boa parte da história. Aqui, a situação não se limita apenas às motivações do criminoso, uma vez que a forma como o caso é solucionado é executada de maneira atrapalhada. Jane sempre faz uso de seus truques para fechar investigações, e normalmente suas ideias fazem sentido, ainda que sejam repetitivas algumas vezes. Aqui, no entanto, o protagonista usa uma lógica completamente distorcida para afirmar que Nora Hill é a assassina, baseando-se no fato de ter sido a única a defender Stiles, já que, caso contrário, ela obrigatoriamente teria votado por uma mudança, já que os seres humanos são previsíveis assim.
A participação de Stiles, infelizmente, limita-se quase apenas ao caso da semana, perdendo uma grande oportunidade de promover uma bela discussão sobre as recentes atitudes de Jane, que são exploradas apenas superficialmente através de alguns diálogos pontuais. É verdade que o personagem provavelmente retornará em breve, possivelmente para ajudar o protagonista justamente com essa situação, mas é impossível não classificar o reencontro como ligeiramente decepcionante, principalmente pela ausência de algo que engrandeça as tramas envolvendo Jane. Mesmo assim, Stiles consegue, através de bem construídas linhas de diálogo, estabelecer um interessante antagonismo com Jane, mostrando-se como um dos poucos personagens capazes de incomodar o consultor, a ponto de ficar com uma expressão fechadíssima ao ouvir as acusações do rival, algo incomum no personagem.
No entanto, a necessidade de uma grande exploração de Stiles faz mal para quase todos os personagens, que praticamente desaparecem em His Thoughts Were Red Thoughts. Cho, por exemplo, não deve ter mais que um minuto de tela, limitando-se a pouquíssimas falas. Já Lisbon desaparece diante das aventuras de Jane, contando com uma estranhíssima atuação de Robin Tunney, que jamais consegue conferir à sua personagem a expressão desejada, o que resulta em uma Lisbon fazendo caras bizarras. Por fim, Van Pelt até ganha destaque em seus diálogos com Stiles, mas de maneira completamente desnecessária, não acrescentando absolutamente nada à trama. Aliás, o roteiro tem trabalhado de forma atrapalhada a condução dos problemas vividos pela ruiva após assassinar seu noivo. Ora a série parece mostrá-la perturbada, ora como se nada tivesse acontecido.
Embora His Thoughts Were Red Thoughts tenha uma série de problemas, que parecem que jamais serão contornados, é inegável que tenha sido um bom episódio, principalmente durante seus 35 primeiros minutos. A mudança de foco de The Mentalist cria histórias interessantes, evitando o tom de repetitividade, mas as pontas destas precisam ser amarradas de forma mais coerente, para que o todo se forme claramente e com qualidade.
SÉRIE MANIACOS
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