
Boíuna espreita e com seu “farol”, leva mais um.
Spoilers Abaixo:
Há uma coisa muito curiosa a respeito de The River. Enquanto decisões ruins sobre a dramaturgia vão sendo tomadas no que diz respeito aos personagens, boas histórias são costuradas em torno disso. Histórias fortes, cheias de apelo visual. Foi assim com as bonecas, com o enforcado da semana passada, e com o barco fantasma dessa semana. Boas histórias em torno de personagens ruins.
Com seu acordeom (What?), Lena anuncia que o proscênio é dela nesse episódio. Enquanto os roteiristas se preocupam em atribuir características sul-americanas em parte do elenco, vamos sendo apresentados a um pouco mais sobre o desaparecido pai da sanfoneira. Russ, vivido por um sempre ótimo Lee Tergessen(Bitch Beecher), agora tem um rosto, e exige sua importância nessa busca, falando através da filha dedicada.
Com Mãe Jahel de folga de suas atribuições mediúnicas e dedicando-se à mecânica naval, o caso da semana veio de uma maneira muito mais eficiente. Eu já tinha implicado com a maneira explicativa com que as histórias se desenrolavam, e embora essa semana tudo tenha acontecido do mesmo jeito, pelo menos o interlocutor foi outro.
A noção de Barco/Navio Fantasma não é nova, mas misturá-la com características do vampirismo clássico foi inteligente. Nada de bebeção de sangue, mas uma boa dose de intolerância à luz e zumbinismo, que caíram como uma luva para os propósitos do programa. Já sabíamos que o Exodus ia resultar em alguma coisa, mas confesso que me surpreendi com o rumo tomado. É bem verdade que os truques de câmera (alterando as feições dos mortos-vivos em quadros rápidos) foram bem eficientes nessa ordem.
A boa descoberta de Russ a bordo da estranha embarcação veio coroar um bom momento do show. Embora um pouco moroso, o episódio foi elegante na maioria do tempo, evitando exageros e se preocupando menos com reações. Claro que embora correto, o desfecho do pai de Lena acabou caindo nesses excessos a que me referi. As vezes há um exagero de conceito que torna a ida desse programa ao ar, inviável. Mostrar Russ desintegrando é um exemplo. Era desnecessário e sentimentalóide. E trai a ideia de verossimilhança do programa que Clark desejava realizar. Aqui, o menos pode ser muito mais. Efeitos especiais em excesso impedem que compremos a ideia de que o que vemos são episódios de uma espécie assustadora de reality show.
Outro problema ainda é o texto. Eu, que também escrevo dramaturgia, aprendi que se o personagem não precisa dizer uma coisa, não faça com que ele diga. Nesse episódio, em dado momento, Jonas recebe algumas ordens e em resposta diz: “Devia ter ficado naquela árvore”. Um comentário idiota que ninguém faria se estivesse nas mesmas circunstâncias apavorantes dele. O moço passaria a ETERNIDADE sendo enforcado em tempo integral. Qualquer pessoa de verdade estaria extremamente traumatizada e JAMAIS brincaria com tal coisa. A frase ridícula deveria expressar humor e só pareceu um lixo dialogal de um roteirista preguiçoso e burro.
Vejam bem, ainda acho que The River é uma série interessante, mesmo que o encosto moralista deSpielberg teime em se fazer presente. Há coisas bacanas sendo feitas ali e com uma boa condução, essa pode mesmo vir a se tornar uma grande série… Quer dizer, isso se trocarem o protagonista, porque aqueleLincoln… Meu Deus, nada nele me convence. Nada.
Fonte: Série maniacos





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